O que fazer quando o INPI nega o registro da minha marca: passos práticos do recurso ao novo pedido
Equipe Notare Registro de Marcas. Informações e valores conferidos em 19 de outubro de 2026.
Receber uma negativa do INPI não significa que a única saída seja abandonar o nome da empresa. Também não significa que pagar por um recurso resolverá o problema. A decisão depende do motivo da recusa, das provas disponíveis, do prazo e do custo de cada caminho.
Se o INPI negou o registro da sua marca, consulte a decisão oficial, confirme o prazo de recurso e peça uma análise dos fundamentos. Em regra, o recurso administrativo deve ser apresentado em 60 dias da publicação na RPI. Conforme o caso, também podem ser avaliados uma restrição da especificação, uma negociação, um novo pedido ou uma medida judicial. Fonte: Manual de Marcas, recursos.
O roteiro abaixo ajuda a organizar essa escolha e a separar duas contas que costumam ser confundidas: as retribuições cobradas pelo INPI e os honorários do prestador de serviços.
1. Confirme o que o INPI decidiu antes de pagar outra taxa
Comece pelo número do processo e pela publicação na Revista da Propriedade Industrial, a RPI. Leia o fundamento da negativa e identifique as marcas anteriores citadas, se houver. Oposição de terceiro, exigência e indeferimento são ocorrências diferentes; cada uma pede uma providência própria. Fonte: despachos do exame de mérito do INPI.
Monte uma pasta com:
- Comprovante do pedido, nome e imagem da marca depositada.
- Publicação do indeferimento e respectiva data.
- Produtos, serviços e classes solicitados.
- Dados das marcas apontadas como impedimento.
- Petições, documentos e decisões anteriores.
- Contrato da assessoria e comprovantes dos pagamentos.
Peça que a avaliação responda a uma pergunta concreta: o que precisa ser demonstrado ou modificado para enfrentar o motivo da recusa? Uma proposta útil explica essa relação antes de indicar recurso, acordo ou outro depósito.
2. Compare as alternativas com o problema encontrado
Esta tabela funciona como roteiro de decisão. A indicação final depende da leitura do processo.
| Situação | Alternativa a avaliar | Ponto decisivo |
|---|---|---|
| Há argumento consistente contra a análise do INPI. | Recurso administrativo. | Demonstrar por que a decisão deve ser revista. |
| A descrição inclui atividades que a empresa não precisa proteger. | Restrição da especificação, quando admissível. | Verificar se a redução enfrenta o conflito e atende ao negócio. |
| O problema exige um nome ou desenho substancialmente diferente. | Reformulação e novo pedido. | Pesquisar a nova versão antes de investir nela. |
| Existe possibilidade real de conciliação com o titular anterior. | Negociação de convivência ou outra solução contratual. | Definir limites compatíveis com as atividades e com o exame do INPI. |
| Há fundamento jurídico para questionar a decisão e valor estratégico relevante. | Avaliação judicial por advogado. | Comparar provas, custos, tempo e riscos do litígio. |
Algumas medidas podem integrar uma estratégia conjunta. Abrir uma negociação ou preparar outra marca, porém, não suspende por si só o prazo para recorrer do pedido existente.
3. Quando vale interpor recurso administrativo?
O recurso é indicado para pedir a revisão da decisão no próprio processo, com argumentos que enfrentem o fundamento utilizado pelo INPI. O objetivo precisa ser mais específico do que afirmar que o nome é importante para a empresa.
Se a recusa envolve uma marca anterior, por exemplo, a análise deve comparar os sinais e os produtos ou serviços envolvidos. Se o motivo é falta de distintividade, a discussão será outra. As proibições de registro estão no artigo 124 da Lei da Propriedade Industrial.
Um recurso técnico deve organizar a decisão questionada, os argumentos pertinentes, os documentos de suporte e o pedido de revisão. Decisões anteriores podem ser úteis quando tratam de situações comparáveis, mas precisam ser lidas no contexto do caso.
Qual é o prazo e como preparar o protocolo?
O prazo ordinário é de 60 dias, contado da publicação do ato na RPI. A contagem começa no primeiro dia útil seguinte à publicação e utiliza dias contínuos, observadas as regras de vencimento. Não conte a partir do recebimento de uma mensagem comercial ou do dia em que abriu um e-mail. Fonte: disposições gerais do Manual de Marcas.
Na preparação, confira o número do processo, a representação do titular, a guia do serviço adequado, o pagamento aplicável, as razões e os anexos. Depois, salve o comprovante de apresentação e acompanhe as publicações seguintes. Pagar uma guia não substitui protocolar o recurso. A página de custos de marcas do INPI também alerta que o vencimento da guia não deve ser confundido com o prazo legal.
Para o indeferimento do pedido, o serviço é o 3000. O recurso pode envolver novas questões durante o exame; sua apresentação não assegura aprovação. Há ainda procedimento específico para alegar distintividade adquirida pelo uso em situações admitidas pelo INPI, com requisitos e apresentação de provas próprios. Fonte: recursos e distintividade adquirida.
4. Posso ajustar a especificação ou redesenhar a marca no mesmo processo?
Restringir a especificação e trocar a identidade da marca são providências diferentes. A especificação descreve os produtos ou serviços que se pretende proteger. O nome e a imagem compõem o sinal apresentado.
O INPI admite retirada ou restrição de produtos e serviços em hipóteses previstas no Manual. Isso pode ser relevante quando o negócio não precisa de todo o escopo inicialmente solicitado. A providência deve ser compatível com a fase do processo; não amplia livremente a proteção nem desfaz, sozinha, um indeferimento.
Já a marca, como regra, não pode ser alterada após o depósito. Existem exceções limitadas, como a retirada de elemento irregistrável sem modificar suas características distintivas principais. Elas não autorizam substituir livremente palavras ou desenhos. Uma reformulação substancial normalmente exige novo pedido. Fonte: Manual de Marcas, alterações da marca e da especificação.
Exemplo hipotético: uma empresa depositou uma descrição ampla, mas atua apenas em um segmento específico. Vale examinar uma restrição tecnicamente admissível. Se o conflito está no nome dominante, mudar somente a cor do logo pode deixar intacta a causa da negativa. A solução precisa responder ao problema apontado, e a nova versão deve passar por pesquisa de marcas iguais e semelhantes.
5. Quando negociar com o titular de uma marca conflitante?
A negociação pode fazer sentido quando existe espaço comercial para delimitar atividades e reduzir conflitos. Um acordo de convivência deve ser avaliado com atenção ao que cada parte vende, como se apresenta ao público e quais compromissos consegue cumprir.
A concordância do titular anterior não obriga o INPI a conceder o registro. O acordo serve como elemento de subsídio ao exame. Se permanecer risco de confusão ou associação, o Instituto poderá considerar a convivência inviável. Fonte: Manual de Marcas, convivência entre marcas.
Em outros casos, pode ser necessário estudar uma licença ou a aquisição de direitos. Essas soluções têm efeitos e custos próprios e não substituem automaticamente a análise do pedido negado. Veja as diferenças entre licenciamento de marca e cessão de marca no INPI.
Antes de assumir compromissos ou pagar pela negociação, defina o objetivo, o alcance da autorização e o tratamento de eventual recusa do INPI. Mantenha o prazo de recurso sob controle enquanto as conversas acontecem.
6. Quando um novo pedido é mais adequado?
Um novo depósito merece atenção quando a estratégia exige uma mudança substancial do sinal ou quando a avaliação identifica um caminho mais coerente para a identidade do negócio. Não basta repetir o pedido anterior e esperar uma interpretação diferente.
Organize o trabalho em quatro entregas: diagnóstico da negativa, definição do que será mudado, nova pesquisa e conferência do titular e da especificação. Só então prepare o depósito.
O novo pedido terá sua própria data e seu próprio exame. Ele não continua automaticamente o processo anterior, não devolve as taxas já utilizadas e não preserva, por si só, o prazo de recurso daquele pedido. Consulte também o passo a passo do registro de marca.
7. Em que situação considerar medidas judiciais?
A via judicial merece avaliação quando há fundamento jurídico para questionar o ato e a marca tem importância suficiente para justificar o investimento e os riscos. A decisão deve considerar a qualidade das provas, as alternativas comerciais e o efeito de uma eventual demora.
Um advogado deve definir a medida adequada, as partes envolvidas e os prazos aplicáveis. Em regra, o questionamento de um ato do INPI envolve a Justiça Federal, conforme a competência prevista no artigo 109 da Constituição Federal. Não confunda discutir a negativa do seu pedido com pedir a nulidade de um registro de terceiro: são pretensões diferentes.
Tratar a ação judicial como última alternativa no planejamento não significa que esgotar a via administrativa seja uma exigência geral para acessar a Justiça. A estratégia e os requisitos da medida devem ser examinados no caso concreto.
No orçamento, separe honorários advocatícios, custas e possíveis despesas com provas. Também existe risco de condenação em honorários de sucumbência, conforme o processo e a decisão. As regras gerais estão nos artigos 82 e 85 do Código de Processo Civil. Não há um valor judicial único que possa ser prometido para todos os casos.
Quanto custa recorrer ou fazer um novo pedido no INPI?
Estes eram os valores públicos da Tabela de Retribuições de Marcas consultada em 19/10/2026, por classe:
| Serviço | Código | Valor integral | Com desconto de 50%, quando aplicável |
|---|---|---|---|
| Recurso contra indeferimento do pedido | 3000 | R$ 700,00 | R$ 350,00 |
| Novo pedido com especificação pré-aprovada | 389 | R$ 880,00 | R$ 440,00 |
| Novo pedido com especificação de livre preenchimento | 394 | R$ 1.720,00 | R$ 860,00 |
Fonte: tabela oficial de marcas do INPI. Os valores não incluem honorários nem eventuais serviços adicionais.
O desconto depende do enquadramento do titular e do serviço. Existem regras específicas de gratuidade para pessoas físicas elegíveis em serviços de entrada; isso não torna gratuito todo recurso. Confirme as condições ao emitir a guia. Fonte: perguntas e respostas do INPI sobre descontos.
No fluxo atual, o INPI informa a concessão automática após o deferimento, sem novo pagamento da antiga retribuição de concessão e expedição do certificado. Processos antigos podem exigir análise da regra de transição. Fonte: Guia Básico de Marcas.
Quais taxas públicas não são devolvidas após a negativa?
A negativa, por si só, não gera devolução da retribuição de um pedido que foi examinado. O pagamento remunera o serviço administrativo, e não a promessa de registro. A mesma lógica se aplica ao recurso efetivamente processado: resultado desfavorável não é motivo automático de reembolso. Fonte: regras de restituição do INPI, Resolução nº 204/2017.
Isso é diferente de um pagamento indevido. O INPI prevê restituição em situações como duplicidade, recolhimento a maior ou serviço para o qual não se apresentou a petição, observadas as condições aplicáveis. O procedimento de restituição não tem custas. Fonte: orientações oficiais de restituição.
Se houver recurso, será necessário recolher a retribuição correspondente. Se houver outro pedido, haverá cobrança própria daquele depósito, salvo benefício público aplicável ao titular. A guia utilizada no processo anterior não funciona como crédito automático para a nova tentativa.
Quanto vou pagar novamente ao prestador de serviços?
Os honorários dependem do contrato. Confira se o valor inicial inclui análise da negativa, elaboração do recurso, acompanhamento dessa fase e um eventual novo processo. Negociação e atuação judicial também precisam ter escopo definido.
Peça um orçamento com três parcelas separadas: taxas públicas, honorários e despesas de terceiros. Não há valor único de honorários que represente todos os casos, e a tabela do INPI não determina o preço da assessoria.
Exemplo prático: como comparar o desembolso seguinte
Considere uma empresa elegível ao desconto de 50%, com uma única classe. Os números abaixo são simulações com os valores da tabela citada, sem honorários:
- Se optar por recurso, a retribuição inicial será de R$ 350,00.
- Se optar por novo pedido com especificação pré-aprovada, será de R$ 440,00.
- Se a estratégia exigir as duas medidas, a soma dessas duas retribuições será de R$ 790,00.
Esse cálculo não indica que a alternativa mais barata seja a melhor. Compare a possibilidade técnica de enfrentar a negativa e o custo de mudar a marca. Uma garantia de novo processo pode dispensar honorários nessa etapa, nos limites contratuais, mantendo separadas as retribuições oficiais.
Dúvidas frequentes após o indeferimento
Um acordo com o titular anterior garante a aprovação?
Não. O acordo pode ajudar na análise, mas o INPI continua responsável por avaliar a possibilidade de registro e o risco de confusão.
Posso recorrer e preparar uma nova marca ao mesmo tempo?
As medidas podem ser avaliadas em conjunto. Elas têm objetivos, custos e protocolos próprios; preparar outra marca não suspende o prazo do recurso.
A garantia de um novo processo significa que não pagarei mais nada?
Não. Na Notare, a garantia anunciada se refere aos honorários do processo adicional, conforme o contrato. Taxas públicas e outros serviços devem ser conferidos separadamente.
Preciso parar de usar a marca imediatamente após a negativa?
A decisão exige avaliação do motivo e dos direitos envolvidos. Se houver conflito com uma marca anterior, examine os riscos do uso com orientação especializada. O protocolo ou o recurso não equivalem ao certificado de registro.
O que enviar à Notare para avaliar meu caso?
Envie o número do processo, a publicação da negativa, os documentos disponíveis e o contrato anterior. Isso permite discutir a providência adequada, o prazo e o orçamento com base na situação real.
Se o INPI negou o registro da sua marca, fale com a equipe da Notare para avaliar o recurso, a possibilidade de ajuste e os custos de um novo pedido.